O fato é que uma coisa desencadeia outra e fica impossível você não fazer uma justa pesquisa para tentar compreender de onde, de quem, ou como surgiu a idéia de criar o filme.
O filme em questão foi feito a partir das idéias de Willis O'Brien, com efeitos de Inoshiro Honda. E é aí que a pergunta me veio à mente, e acredito que muitos que não chegaram a pensar nisso, chegaram pelo menos a se questionar sobre colocar os dois maiores ícones monstruosos, King Kong (Americano) e Godzilla (também conhecido no Japão por “Gojira”) para se enfrentarem. Novamente vêm a questão: De onde, a Toho Studios retirou essa idéia de produzir King Kong Vs. Godzilla? E tem mais: Você já se questionou por exemplo quem nasceu primeiro? Godzilla ou King Kong? E já tentou imaginar de onde Eiji Tsuburaya supriu idéias para a criação do seu monstro tão conhecido hoje em dia, e mundialmente? Será que ele imaginou o lagarto assim...no susto?
Se já pensou, ou se nunca se questionou, está na hora de você ler o artigo abaixo. Nesta edição do T-R Update, você confere abaixo como foi que a história toda se desenrolou:
Em 1963, Willis O'Brien criou interesse em produzir seu roteiro original chamado King Kong Vs. Frankenstein, do qual o macaco gigante enfrenta uma versão gigante do monstro Frankenstein. Willis esperava fazer o filme, utilizando seu processo de animação por stop-motion (ou também como é conhecido: Stop-Action) tanto em King Kong, como para o monstro Frankenstein. Não tendo sorte em despertar o interesse das indústrias americanas, Willis tenta então os estúdios japoneses, sendo a Toho Studio uma destas. Willis criou vários desenhos preliminares e roteiros para a Toho, que não demonstrava até então, interesse no projeto. O filme jamais pôde ser feito.
Curiosamente então, antes da morte de O'Brien, a Toho estréia o filme King Kong Vs. Godzilla, do qual sua essência e linha história (do filme) é quase idêntica (se não fosse pela troca do Godzilla no lugar de Frankenstein) ao roteiro original de King Kong Vs. Frankenstein. Nem O'Brien nem seu estado foram compensados pelo uso de sua idéia pelos japoneses. Godzilla, um dinossauro mutado, foi estrela de muitos filmes da Toho desde sua criação. Desde os antigos filmes de Godzilla, o monstro havia sido apresentado com mais de 10 metros de altura. Por conta de sua luta contra o lagarto, Kong então sofre uma alteração gigante (se comparado ao tamanho projetado por O'Brien, que era de 18 metros de altura) por parte dos japoneses. Kong no filme possuiria 45 metros de altura!

[quote=Nota da Jonin]Os japoneses para poder por Kong para enfrentar sua fera japonesa, não bastava apenas a força bruta do gorila para derrubar o lagarto superdesenvolvido. Era necessário mais do que isso, e para não ficar em desvantagem com relação ao poder de ataque (já que em relação a tamanho, os japoneses também haviam dado um jeito) de Godzilla, os japoneses têm a idéia de dar poderes a Kong: De suas patas ele era capaz de disparar altíssimas cargas elétricas. No filme, Godzilla tinha aversão por eletricidade (!!!).[/quote]

Algumas curiosidades com relação ao filme. Cinco polvos foram usados para a cena na ilha, quando aparece o Polvo Gigante e começa uma batalha contra Kong. Apenas 1 dos 4 polvos usados nesta cena foi devolvido ao mar. O restante ficou de jantar para a equipe da Toho. . O efeito de stop-motion utilizado no King Kong original (o de 1933) foi usado em duas cenas do filme (o resto foi com a ação de um dublê). A primeira foi a luta entre King Kong e o Polvo Gigante (Giant Octopus) e o outro foi quando Godzilla chuta para longe King Kong. . Muitos fãs ainda se confundem e têm dúvidas quanto ao real final deste filme. Alguns dizem ter dois finais, inclusive: na América quem vence é “...” no final, enquanto no Japão quem vence é o “...”. O fato é que a diferença está somente na trilha sonora. Os filmes são iguais, sendo que na América, pode-se escutar “...” dar seu grito final, enquanto no Japão, é “...” quem dá seu grito de vitória depois de “...”, mostrando que no final quem vence é o “...” . Desculpe, mas o T-R Update não dará este estraga-prazer descarado à você. Se estiver realmente curioso(a) para ver este filme, então está na hora de você adquirir este DVD. Vá ao sítio da Continental e compre logo o seu! A capa acima, é do DVD da Continental. E finalmente... Fora esta pequena parcela do que eu acho ser o significa de tokusatsu no Japão, eu ainda aprendi um pouco sobre King Kong e de como os japoneses realmente são fãs dos americanos, e como eles aprendem a aperfeiçoam o que já existe desde os remotos tempos. E eu achando que a criação do Godzilla tivesse nascido sem influência americana (exceto sobre o alerta do perigo da Bomba Atômica!). Fico me questionando se a criação de um mutante legitimamente japonês não foi para mostrar e chamar a atenção dos americanos, de que nascera ali, um "King Kong" japonês, mais forte, mais poderoso e mais aterrador. É importante darmos créditos ao Eiji, não só por ele ter criado um dos ícones mais famosos dos cinemas, mas também como um deus dos Efeitos Especiais japoneses. Não poderia ser diferente, né? Eiji viu King Kong (de 1933) e se rendeu à criatividade americana, começando então a criar seu próprio processo de criação em stop-motion também (para quem não captou, foi graças ao filme de Willis O'Brien). Para você ver que, o que penso, talvez não seja tão sem sentido assim e muito menos uma piada de mal gosto, veja só que coincidência (ou não !!): A Toho em 1967 apresenta ao público dois filmes: Last Kaiju Battle: Son of Godzilla (Kaiju-To no Kessen: Gojira-no Musuko), onde Minilla é apresentado ao público no filme e adotado por Godzilla (seria um filho adotivo), ensinando-lhe como sobreviver e se defender dos inimigos. Ora Ora se não fosse algo similar: Em 1933, Willis O'Brien estréia Son of Kong, onde Kong têm um filhinho, de nome Kiko. Kiko é ajudado a se livrar de uma enrascada (areia movediça) da qual se enfiou, e com isto passa a ajudar os humanos, lutando ao lado deles. Eu posso até estar divagando, mas acredito que Eiji tenha visto este filme e imaginou uma situação similar para Godzilla, no filme que citei acima (Last Kaiju Battle: Son of Godzilla). O outro filme de 1967 (nesta ordem cronológica que citei!) é King Kong Escapes (King Kong No Gyakushu), onde o líder da expedição é atacado por um dinossauro (este em questão é o monstro Gorossauro), e salvo por Kong, que também rapta a bela membro da expedição (o Kong de 1933 também rapta uma bela jovem. Aliás, os filmes clássicos de Kong são sempre raptando uma bela Homo Sapiens Sapiens, né?). Enquanto isto um cientista maluco, querendo dominar o mundo, cria então uma versão robótica de Kong,e todo mundo cai na lona num telecatch incrível! Este filme eu não consigo não imaginá-lo como uma homenagem ao Kong em todos os aspectos. Não só Kong volta à ação, como uma versão mecânica dele também é criada. Coincidência ou não, o grupo da Toho viu que talvez pudessem fazer o mesmo com Godzilla, e em 1974, uma versão robótica do lagarto gigante dá às caras num filme também estrelado por Godzilla. A partir disso eu acredito que Eiji viu a grande possibilidade de se criar não só outros filmes com o Godizlla (não propriamente o mesmo Godzilla, mas sim uma geração de Godzillas!), como também variar seus monstros. Hoje temos vários kaijus queridos do público japonês, como Ghidrah, Mothra, Gigan, Kamakura, e muito mais. Há quase me esqueço! A Toho também fez uma versão gigante de Frankenstein onde ele enfrenta Godzilla. Consegue você, imaginar de onde isto poderia ter vindo?

Willis O'Brien, um dos mais famosos produtores de efeito especial, principalmente no que diz respeito ao Stop-Motion. Homem este que sem dúvida influenciou Eiji Tsuburaya!
Mesmo eu tendo adquirido a versão americana de King Kong Vs. Godzilla, eu já estou à procura do original só para ver o que Eiji fez. Vale lembrar que O'Brien é um dos deuses do Stop-Motion. Ainda é um desafio saber quem foi o primeiro a criar o efeito Stop-Motion ou como também é conhecido Stop-Action. Alguns dizem que o stop-motion se iniciou com o mágico ilusionista francês George Mélie, falescido em 1938, que viu na televisão uma extensão de suas mágicas. Mais isto, é uma outra história.
Termino esta matéria com uma frase de Mary Shelley e encorajada a pensar no que você leitor, pensará daqui por diante: "O amanhã jamais igualará o ontem; Nada exceto o mutável, pode perdurar!"
Até a próxima!
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